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O poder dos consumidores
e os cuidados de saúde

No que se refere aos cuidados médicos, os consumidores têm vindo a alterar as suas atitudes pelo facto de terem um maior acesso ao ensino superior e a novas fontes de informação como a Internet, e também a um aumento da riqueza pessoal.

Assim, os consumidores aumentam as suas expectativas e vêm a saúde como um direito e não como um privilégio, como era considerado pelas gerações anteriores. Alteraram a forma como definem cuidados de saúde abarcando qualidade de vida e deixando de ser entendido apenas como ausência de doença. A mudança de atitude dos consumidores é a consequência dos grandes avanços tecnológicos e na ciência, como por exemplo; o aparecimento de novos instrumentos de diagnóstico, fornecendo imagens cada vez mais precisas dos órgãos internos do homem; a miniaturização está a pavimentar o caminho para o desenvolvimento de dispositivos cirúrgicos mínimos, tal como os pacemakers inteligentes.

A convergência destes quatro factores – poder dos consumidores, desenvolvimento da tecnologia, ciência e informação – não altera apenas a velocidade das mudanças, mas aumenta também, o impacto de cada mudança. Isoladas seriam dramáticas, juntas irão alterar a nossa forma de pensar e interagir. Irão dar uma nova forma às nossas vidas, pois todas elas estão direccionadas para o mesmo objectivo: o individuo, criando um novo conceito sobre cuidados de saúde – uma gestão de saúde integrada e imediata, interactiva, informada e individualizada. Os fabricantes e prestadores de serviços dentro da indústria farmacêutica poderão encontrar grandes oportunidades com esta nova tendência, melhorando as suas tradicionais ofertas e explorar novos mercados.

Este novo conceito irá abrir a possibilidade de criar uma melhor qualidade de vida para pacientes individuais, mais saúde para as populações e mais retornos para os accionistas. Por outras palavras, irá oferecer às indústrias farmacêuticas uma maior variedade de opções estratégicas do que anteriormente. Então o que poderão fazer para se prepararem para o novo desafio? Podem identificar e avaliar as opções implícitas nos cuidados de saúde individualizados; adquirir ou desenvolver técnicas para atrair o novo mercado e começar a desenvolver um processo de inovação e comercialização. Podem igualmente, recrutar ou formar pessoas para dirigirem um novo modelo organizacional. Se conseguirem levar a cabo estas tarefas, serão capazes de “agarrar” os problemas de hoje com o olhar posto no futuro.

Mas qual é a verdadeira situação da indústria farmacêutica? Actualmente enfrenta grandes pressões relacionadas com a pesquisa e desenvolvimento, marketing, a subida de custos de pesquisa e o lançamento de novos produtos. Estas pressões constituem ameaças financeiras significantes. Os líderes industriais reestruturam as funções de marketing e vendas, aumentaram as equipas de vendedores, começaram a fazer publicidade directamente para o consumidor, até onde as regulamentações permitem.

Neste ambiente acredita-se que as descobertas farmacêuticas e distribuição, irão também mudar. O mesmo modelo de medicina que servia para todos irá desaparecer em favor de terapias personalizadas. A grande preocupação de futuro será a de manter as pessoas saudáveis, ao contrário de anteriormente que se limitava a tratar os doentes. Os consumidores esclarecidos e pró-activos podem ser os maiores aliados da indústria farmacêutica, porque estão determinados a melhorar cada tratamento, ligeira ou significativamente. Pensam que deve haver comprimidos, poções ou dietas que possam mitigar ou mesmo curar problemas como: artrites, diminuição da libido, perda de cabelo uma diminuição da rapidez cognitiva.

Querem qualidade de vida e muitos estão dispostos a contribuir com os gastos para terem o que querem. Se a indústria aprender a trabalhar com estes consumidores capacitados e cultos, tê-los como alvos e criar parcerias, podem tornar-se os seus potenciais aliados. Se, pelo contrário, forem ignorados, estes mesmos consumidores podem transformarem-se num obstáculo insuperável.
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